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Indústria naval: os próximos passos

05/03/2010

Impulsionada por importantes incentivos, iniciativas como o Prominp (Programa de Mobilização da Indústria de Óleo e Gás), o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), lançado em 2004, e as recentes descobertas na camada do pré-sal, chegou a hora de uma nova fase: a consolidação. A ebulição que vem da construção de plataformas de exploração de petróleo e a recuperação da frota marítima nacional, e que está gerando uma intensa atividade nos estaleiros nacionais, faz com que os interesses de muitos se voltem para este setor.Daí a chegada ao Brasil de players internacionais e os pedidos junto ao BNDES de  financiamento de projetos de infraestrutura da indústria de petróleo e gás no Brasil.É possível que, a continuar neste crescimento, o Brasil tenha a terceira maior indústria naval do mundo em pouco tempo, desta vez diferente da década de 1970, focando em cuidados com a qualidade, segurança e meio ambiente, produtividade e competitividade.Hoje a indústria naval nacional já é a sexta do mundo, e a subida de posições se dará por encomendas de 42 navios da Transpetro, 28 sondas de perfuração da Petrobras e mais de cem navios de apoio. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) calcula que as encomendas aos estaleiros e os novos investimentos devem somar R$ 55 bilhões. São 195 embarcações já contratadas ou com a construção anunciada.Fora isso, desde o ano de 2000, quando todo esse movimento de recuperação começou, subiu de dois mil para 45 mil o número de postos de trabalho no setor. E esse número deve aumentar nos próximos anos com a instalação prevista de cinco novos estaleiros – cada um pode ter até 3.500 funcionários. Tenho certa preocupação com o número total de estaleiros.No final de 2009, o Fundo de Marinha Mercante (FMM) aprovou 161 propostas que vão ser beneficiadas com um crédito extraordinário de R$ 14,2 bilhões ao longo dos próximos quatro anos. Das propostas aprovadas, 155 tratam da construção de embarcações e seis da construção e modernização de estaleiros.O recurso é o maior já disponibilizado pelo FMM de uma só vez e será aportado pelo Tesouro Nacional, dentro da Medida Provisória 472, que prevê a liberação de até R$ 15 bilhões para a indústria naval. Do total, R$ 5,2 bilhões serão destinados a embarcações de apoio marítimo; R$ 4,3 bilhões para os estaleiros; R$ 3 bilhões para cargueiros; e outros

R$ 2 bilhões para os demais tipos de embarcações.

Enfim, não há, pelo menos no momento, a possibilidade de recuo deste crescimento. O Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) prevê que nos próximos dois anos serão criados dez mil empregos diretos e 50 mil indiretos no setor.O cenário é otimista e por conta disso a formação da mão de obra vem passando por constante qualificação, vindo daí o surgimento de formação complementar voltada para o segmento de petróleo e gás. Um exemplo bastante contundente pode ser visto no curso de engenharia naval da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Há dez anos ocurso formava 15 profissionais por ano – em 2009, foram 54 os engenheiros diplomados.Neste novo cenário a Sobena (Sociedade Brasileira de Engenharia Naval) vem demonstrando enorme preocupação em avaliar e antecipar os próximos passos da indústria naval. Comprometida em continuar as conquistas obtidas ao longo dos seus 48 anos dehistória, que serão completados em março deste ano, a entidade começa 2010 projetando uma série de eventos técnicos e sociais para discutir os rumos da engenharia naval brasileira.Em abril, acontece o 2º Seminário sobre Helipontos Offshore. O evento pretende reunir as autoridades responsáveis pela inspeção e certificação de helideques no Brasil. Outro evento bastante aguardado para 2010 é o 23º Congresso da Sobena, que neste ano terá comotema ‘Indústria naval: os desafios da competitividade e da sustentabilidade’. O evento acontece junto com a Exponaval, de 25 a 29 de outubro.O ciclo de palestras sobre estaleiros retorna ainda no primeiro semestre e a intenção é continuar a ouvir as práticas adotadas nos estaleiros instalados no Brasil como forma de trocar experiências no setor. A Sobena também está direcionando seus esforços para a manutenção das comissões técnicas já existentes, como a Especial de Normalização, que dentre outros assuntos quer rever a ABNT/CB-07, que regula a normatização no campo de navios, embarcações e tecnologia marítima compreendendo: projeto, construção, estrutura, equipamentos, acessórios, métodos e tecnologia.E, por fim, o grande avanço que tivemos em 2009, que foi a criação da Rede Desenvolvimento da Competitividade da Indústria Naval para envolver estaleiros,institutos de pesquisa, escolas técnicas, Petrobras e Transpetro, indústria fornecedora de equipamentos, engenheiros, classificadoras, a Marinha do Brasil e órgãos de fomento.Enfim, trata-se de um esforço conjunto e articulado para que, se não conseguirmos atrair novos recursos para P&D, pelo menos vamos ajudar a fazer com que os recursos existentes possam ser direcionados para as demandas mais importantes da indústria naval

brasileira. Esta é a nossa contribuição para que, definitivamente, a indústria naval nunca mais ‘volte para o estaleiro’.

Edição 82

Revista TN Petróleo

Ano XII 2012 nº 82

Guia do Estudante

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