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Porto necessita de mão de obra

A Tribuna - SP - 05/11/2010

Não é de hoje que a comunidade portuária vem apontando deficiências no Porto de Santos. Deficiências que vão desde problemas operacionais a dificuldades de acesso. A situação chegou a tal ponto que operadoras portuárias de cais público decidiram expor suas dificuldades em anúncio publicado neste jornal no último sábado.
 
 
As principais queixas são quanto a falta de mão de obra e a longa espera dos navios para atracar, o que provoca o acúmulo de cargueiros na Barra de Santos. A falta de pessoal, por exemplo, faz com que a demora no embarque de açúcar, que antes era de 10 a 15 dias, chegue a 30 ou 40 dias. Como as vagas de atracação demoram a ser liberadas, os navios têm de esperar mais de um mês para iniciar as operações.
 
 
Tudo isso gera um custo adicional, que pode chegar a US$ 400 mil por embarcação. Por isso, não é surpresa o fato de alguns exportadores terem decidido enviar suas cargas por outros terminais, principalmente os de Antonina e Paranaguá, no Paraná.
 
 
A maior agilidade encontrada nesses complexos compensa largamente os custos mais elevados do frete. Os embarques de açúcar por Santos já caíram um terço neste ano. Para 2011, calcula-se que perto de 1 milhão de toneladas do produto ensacado serão desviadas do terminal local. Uma perda considerável, que pode se tornar irreversível se os problemas apontados pelos operadores não forem sanados.
 
 
O Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) anunciou que pretende acelerar o treinamento e a entrada de profissionais para atuar especificamente na operação de açúcar. Mas o processo tem se mostrado insuficiente para atender a demanda. No começo do semestre, por exemplo, o órgão selecionou 250 profissionais, mas, até agora, apenas 40 iniciaram o serviço. Para o presidente da Estiva, Rodnei da Silva, o problema está no excesso de burocracia:
 
 
"O sindicato apresentou 7 mil pessoas. O Ogmo quis fazer concurso, cheio de regras. A burocracia está causando tudo isso". Ainda que possa haver algum exagero na declaração do líder sindical, o fato é que realmente está ocorrendo alguma lentidão no processo de seleção e treinamento de pessoal. Pois a demanda por mão de obra cresceu muito nos últimos meses, e a oferta de profissionais não tem conseguido acompanhar.
 
 
Descobrir o que está emperrando o funcionamento desse sistema é, portanto, a primeira providência a ser tomada. Se for necessário, que se mude até a forma como o cadastro é formado. Se o sindicato pode oferecer 7 mil trabalhadores, por que foram selecionados apenas 250 para iniciar o treinamento? Todos os demais não estariam aptos? A questão é que o Porto de Santos, como ressaltado inicialmente, tem uma série de problemas que há anos aguardam solução. E não se pode admitir que a falta de mão de obra venha a se somar a essas deficiências, para desespero dos operadores.

Edição 82

Revista TN Petróleo

Ano XII 2012 nº 82

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