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Complexo investe bilhões para crescer

Valor Econômico - 20/03/2008

O maior centro de refino de petróleo e derivados da Ásia tem investido bastante em aparatos de segurança, tudo começou após os atentados de 11 de setembro. Hoje, para entrar na ilha criada artificialmente com o aterramento do mar, não é nada fácil, porém isso não acontece com as empresas, que são atraídas pela infra-estrutura, o posicionamento do mercado e a mão-de-obra especializada.

Depois de cruzar o setor de identificação, que inclui a checagem do passaporte e revistas na cabine de raio X e no detector de metais, surge à frente um militar armado e com uniforme de camuflagem. Só assim, você consegue entrar no centro.

Situada no meio do caminho entre China e a Índia, o complexo químico de Cingapura reúne 95 empresas. O cluster, cujas empresas faturam mais de US$ 60 bilhões, já representa mais de um terço da indústria de transformação de Cingapura, ultrapassando a tardicional indústria de eletrônicos.

A Petrobras é umas das novatas da ilha, a apenas 45 minutos do centro desta cidade-Estado do Sudeste Asiático. A estatal brasileira chegou timidamente em 2004, mas em fevereiro passado aumentou sua capacidade de armazenamento de combustíveis alugando um terço dos 450 mil metros cúbicos dos tanques da sinocingapuriana Chemoil. De Singapura, a estatal vende combustível com baixo teor de enxfre para os países da Ásia.

Até o fim dos anos 60, o que hoje é, conhecida como Ilha de Jurong era um arquipélogo de sete ilhas. Cerca de 100 famílias sustentavam-se com atividades de pesca e culturas agrícolas, vivendo em moradias simples de madeira.A vida pacata dos moradores mudou com a chegada das empresas de refino de petróleo.

Os nativos foram obrigados a deixar suas moradias e mudar-se para o centro da cidade-Estado. Como desenvolvimentodas atividades de refino de petróleo, a mão forte do governo começou a agir: a indústria química foi identificada como um setor de importância estratégica nos anos 80 capaz de gerar empregos e grande crescimento econômico.

Mas o rápido desenvolvimento, industrial trouxe um desafio à ilha que foi a falta de espaço. Para romper os limites dos 10 quilômetros quadrados, o governo começou a projetar em meados dos anos 90 um plano de expansão física das ilhas. Imensos navios aterraram parte do mar, fazendo a ligação dos canais e formando uma ilha única, inaugurada em 2000. A empreitada custou US$ 5 bilhões e o tamanho original da ilha foi triplicado para mais de 30 quilômetros quadrados.

O complexo abastece indústrias chinesas e indianas com produtos usados na fabricação de pneus, garrafas, frascos, sacolas, canos, cosméticos e uma lista de diversos itens essenciais e inúemras quinquilharias.

As cifras dos investimentos futuros são altas. Apenas a americana ExxonMobil, a maior empresa petrolífera do mundo, está aplicando US$ 4 bilhões na construção de seu segundo projeto petroquímico na ilha Jurong, que inclui um novo cracker associados as unidades de derivados. Não muito longe dali, na vizinha ilha Bukom, a anglo holandesa Shell constrói um craquer - fábrica de insumos petroquímicos, como a produção de eteno. O investimento, de US$ 3 bilhões, irá alimentar Jurong de matéria-prima via oleodutos.

É difícil imaginar Cingapura, um país que não extrai nenhuma gota de petróleo e supre toda a necessidade com importação, faça a opção de investir no setor intensivo de capital. Mas nas demais ilhas, o governo começou a instalar uam estação de energia, um pólo petroquímico e várias unidades químicas. O governo não vende os terrenos às empresas, mas faz leasing de longo prazo. No pacote de benefícios, há impostos mais baixos e condições vantajosas para instalação. Não posso falar sobre os pacotes negociados, diz, o bem-humorado, Julian Ho, responsável pela área química e de energia da EDB.

Hoje, atuam, além das refinarias, empresas químicas como Akzo Nobel, Basf, DuPont, Celanese, ChevronTexaco, Mitsu e Sumitomo. Mais recentemente, a Lanxess anunciou um investimento de US$ 575 milhões numa nova fábrica de borracha butílica, usada para a fabricação de pneus, que irá gerar 150 empregos.

Para diferenciar-se dos pólos petroquímicos criados mais recentemente na Índia e na China, o governo de Cingapura tem estimulado a integração de setores de maior valor agregado, evitando a oferta dos commodities, especializadas dos países vizinhos.


A intenção tem sido atrair os investimentos das atividades de downstream, nas quais as empresdas refinam óleo e produzem os combustíveis e demais derivados, químicos e petroquímicos. Esse tem sido um esforço importante para sustentar a vantagem competitiva de Cingapura, diz Kha Peng, da EDB.


 

Edição 81

Revista TN Petróleo

Ano XII 2012 nº 81

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