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Santos recebe navios desviados de Itajaí

Valor Econômico - 27/11/2008

Terminais portuários de Santos estão recebendo cargas conteinerizadas originalmente destinadas ao porto de Itajaí, cujas operações foram interrompidas desde quarta-feira da semana passada, em conseqüência das inundações que atingiram várias cidades de Santa Catarina. Ainda não há previsão para a retomada das operações em Itajaí, que ficou sem dois berços de atracação, um terceiro com avarias e um quarto em finalização de obras.

Avaliações não oficiais chegam à cifra de US$ 170 milhões para recuperação total do porto catarinense.

Ao lado do governador Luiz Henrique, Lula sobrevoou as áreas afetadas: Não vai faltar um centavo para recuperação


A armadora Hamburg-Sud/Aliança retirou da escala naquele porto quatro embarcações, mandando três diretamente para Santos, envolvendo cerca de três mil contêineres, entre embarque e descarga de mercadorias. Nesse rol entraram o Cap San Nicolas e o Cap Roca, que fazem a linha com os Estados Unidos, e o Paranaguá Express, da rota européia. Para Paranaguá foi desviado o Cap Trafalgar. Um quinto navio, o Cap Ortegal, está para chegar e não mais se dirigirá a Itajaí, segundo Wilson Roque, gerente regional da armadora para os Estados de Paraná e Santa Catarina.


Estamos procurando alternativas e a primeira opção é Navegantes (na outra margem do rio Itajaí); depois São Francisco do Sul e Imbituba (ambos em Santa Catarina), que está com obras para serem entregues em meados de dezembro, avalia Roque.


Depois da destruição de berços, o assoreamento do leito do rio Itajaí-Açu surge como outra dificuldade para a navegação no local. Na bacia de evolução formou-se um banco de areia que impede o trânsito de navios e só um trabalho de batimetria poderá dar a real dimensão do fenômeno, diz o gerente. Por sua vez, a força da correnteza elevou de 11 metros para 22 metros a profundidade junto aos berços de atracação, o que determinou sua destruição.


Outras armadoras, como a Maersk, Mol Brasil e Zim, também desviaram para Santos rotas antes dirigidas a Itajaí. O navio HS Liszt, da Maersk, segundo a Codesp, especializado em cargas frigorificadas, acabou sendo operado no terminal da Libra, e já zarpou. O Mol Columbus, da Mol Brasil, bandeira panamenha, também descarregou e importou contêineres na Libra, enquanto o Clou Aisland, liberiano por bandeira, da Zim, trabalhou no terminal da Rodrimar, tendo descarregado 75 unidades e recebido 112.


Patrício Júnior, diretor comercial para a América do Sul do APM Terminals, que explora o terminal de contêineres de Itajaí, disse que, numa avaliação prévia, o terminal zero que a empresa constrói no local deverá ficar pronto em dezembro, nos seus primeiros 235 metros. Os 70 metros remanescentes serão concluídos em fevereiro. A inspeção do berço 4, a ser feita nos próximos dias, se aprovada , será oferecida aos clientes logo em seguida, afirma. O executivo prevê que o acesso marítimo aos portos de Itajaí e de Navegantes (Portonave) permanecerá fechado até meados de dezembro.


O superintendente do porto de Itajaí, Arnaldo Schimitt Júnior, e o prefeito da cidade, Volnei Morastoni, reuniram-se ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem apresentaram avaliação preliminar das avarias causadas pelas enchentes, segundo informou o próprio porto.

 

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